sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O olho e a visão


Introdução

Nós dependemos do nosso sentido da visão provavelmente mais do que de qualquer dos outros sentidos - audição, tato, paladar e olfato. Nosso olhos são capazes de captar uma enorme quantidade de informações e uma grande parte do cérebro é necessária para processá-las e colocá-las em uso. Esta quantidade de informações enviadas do olho a poderia até ser maior, se não fosse o processamento e a simplificação efetuados no próprio olho. A retina sensível à luz, revestindo o fundo do olho, tem suas células nervosas "ligadas" de tal modo que as imagens visuais são selecionadas e tomadas nítidas antes de serem passadas para o cérebro.

Isto significa que, embora o olho humano não seja tão preciso quanto uma câmara moderna, as imagens que ele produz são melhoradas, de modo que o cérebro recebe uma impressão detalhada do objeto que o olho está vendo. E quase como a maneira pela qual os computadores podem "limpar" as imagens vagas dos planetas que estão sendo enviadas das distantes sondas espaciais.

Ao contrário do cérebro humano, nossos olhos não são particularmente bem desenvolvidos quando comparados com os de outros animais. Muitos animais podem ver melhor no escuro do que e aves, como o gavião, têm uma visão muito mais aguda que a nossa. Elas são capazes de descobrir um mini rato escondido na grama enquanto estão voando bem alto. Nossa visão é boa, mas não única, e o ponto mais forte do olho humano é a visão das cores e nossa habilidade de dizer a que distância está um objeto apenas olhando para ele.

A estrutura do olho

Os olhos são quase esféricos e, em um adulto, têm aproximadamente 2,5 cm de diâmetro. Eles estão protegidos em órbitas ósseas, na parte da frente do crânio, e podem mover-se livremente, mantidos em suas órbitas através de um complicado conjunto de músculos. O osso do crânio, atrás da sobrancelha, protege os olhos de batidas.

O globo ocular é a unica estrutura oca e macia, que mantém sua forma arredondada graças a um material gelatinoso e transparente chamado humor vítreo. Na parte da frente do globo ocular, essa massa gelatinosa é substituída por um liquido transparente chamado humor aquoso.

Na parte frontal do olho está a córnea transparente cobrindo a pupila e a íris. A quantidade de luz que entra no olho é controlada pela íris. Depois a luz passa através do cristalino e a figura ou imagem é produzida na retina.

Todo o olho, exceto a córnea transparente, é coberto por uma camada branco-cremosa flexível, chamada esclerótica, que é visível como o "branco" do olho.

Na parte frontal do olho, a esclerótica está ligada à córnea. Muito fina e aparentemente delicada, a córnea é realmente muito forte, sendo constituída de fibras finas e transparentes similares às da esclerótica. A córnea e o cristalino são as t partes do organismo que não contêm vasos sanguíneos. Isto quer dizer que a córnea pode ser transplantada para o olho de uma outra pessoa, porque não há células sanguíneas para provocar rejeição, o que geralmente acontece com outros tipos de transplantes cirúrgicos.

Atrás das camadas exteriores da esclerótica está a delgada coróide, contendo finos vasos sanguíneos. Na frente do olho, a coróide junta-se com a íris.




O olho como uma maquina fotográfica

O modo como o olho e uma maquina fotográfica ou câmara trabalham é muito parecido, embora o olho seja muito mais adaptável, trabalhando continuamente e sob qualquer luz.

Tanto no olho quanto na câmara, a luz entra pela frente, passando através de uma lente. Em cada caso, a quantidade de luz que alcança a lente é controlada pela íris, que é uma abertura cujo diâmetro pode variar para permitir menor ou maior entrada de luz. Os raios de luz passando através da lente são curvados de tal modo que uma imagem, ou figura, é produzida ou na retina atrás do olho ou no filme no interior da câmara.

Aqui terminam as semelhanças. Na câmara, a imagem é gravada em cristais sensíveis à luz existentes no filme, enquanto que, na retina, a imagem é transformada em minúsculos sinais elétricos que são passados ao cérebro através dos nervos.

Uma outra diferença entre a câmara e o olho é o modo de focalizar. Em uma câmara, a lente e mover-se para trás ou para frente para focalizar a imagem no filme. No olho, a focalização é acompanhada pela mudança de forma da própria lente (cristalino), o que é possível graças à flexibilidade do cristalino (lente) do olho humano.

A Íris

A parte do olho que mais aparece é a íris colorida e a pupila, que parece um buraco preto no centro. A pupila realmente é um buraco no centro da íris, e pode alargar-se ou estreitar-se quando necessário. Sob luz forte, a pupila se fecha até chegar ao tamanho de uma cabeça de alfinete, protegendo a retina do olho de danos. A pupila abre-se em luz fraca, para permitir que entre no olho tanta luz quanto possível.

A pupila do olho é redonda, mas em muitos animais ela é uma fenda ou tem unia forma mais complicada.

A abertura e o fechamento da pupila são completamente automáticos, como a "célula fotoelétrica" em alguns tipos de câmaras. A íris é composta de dois tipos de fibras musculares. Algumas saem da pupila como os braços de uma estrela-do-mar. Quando elas diminuem, ou se contraem, distendem a pupila obrigando-a a dilatar-se., Outras fibras musculares estão arrumadas em forma de anel ao redor da pupila e provocam seu fechamento quando se contraem.

Instruções para a íris abrir ou fechar a pupila são enviadas pelo cérebro, que age de acordo com informações recebidas sobre a quantidade de luz que está chegando na retina.

A íris é colorida de azul ou castanho, ou de alguma combinação das duas cores. Há padrões e marcas irregulares na coloração, e elas são tão diferentes como as impressões digitais - não há duas pessoas com íris idênticas.

O cristalino

O cristalino do olho humano é órgão notável. Ele focaliza a luz quase tão bem quanto uma lente de vidro, mas é altamente flexível e, portanto, pode mudar sua forma para focalizar a distâncias variáveis.

Isto permite que o olho enxergue um objeto distante e logo desloque-se para olhar algo muito mais perto. O cristalino muda sua forma quase que instantaneamente, para permitir que ambos os objetos possam ser vistos. O cristalino é muito pequeno, ligeiramente achatado na frente e é muito claro, com coloração amarelo-pálido.

Ao contrário da lente de vidro, o cristalino é formado por muitas camadas de células transparentes. Como essas células vivas são macias e flexíveis, o cristalino é elástico e pode mudar a sua forma facilmente.

Ao redor da borda exterior do cristalino existe um ligamento fino e resistente, que sustenta o cristalino logo atrás da íris. A borda externa desses ligamentos está presa a um anel de músculos chiares que estão presos à esclerótica que cobre o olho.

Os músculos ciliares se contraem, como acontece quando precisamos olhar um objeto próximo, a tensão no ligamento que segura o cristalino é diminuída, e o cristalino incha e adquire uma forma quase esférica. Quando os músculos ciliares estão relaxados, o cristalino é mais achatado.

Conforme envelhecemos, o cristalino se torna mais rígido e não pode mudar sua forma tão facilmente. Isto pode significar que são necessários óculos para ler. Algumas vezes o cristalino se torna enevoado e esta condição, chamada catarata, pode eventualmente conduzir à perda da visão. Mas isso pode ser corrigido por uma operação.

Como os olhos focalizam

Para entender como se forma uma imagem no fundo do olho é necessário saber como funciona o cristalino.

Os raios de luz entram pela frente do olho e passam através do cristalino transparente. Em uma lente que é mais grossa no centro do que nas bordas, como o cristalino do olho, esta luz é curvada em direção ao centro da lente. Este tipo de lente é chamado de lente convexa e, no olho, é arredondada na frente e atrás.

Os raios de luz curvados em direção ao centro do cristalino finalmente o atravessam (veja o diagrama) e produzem uma imagem, que é então gravada na retina. Em um olho normal, quando olhamos um objeto distante, o cristalino envia uma imagem nítida e adequadamente focalizada sobre a retina somente se os músculos ciliares estão relaxados e o cristalino achatado.

A imagem produzida é invertida, mas isso é ajustado no cérebro de modo que temos uma imagem mental correta.

Quando olhamos pela primeira vez para um objeto mais próximo, a luz atinge o olho num ângulo diferente, de modo que, quando passa através do cristalino, não produz imediatamente uma imagem nítida sobre a retina. Os raios de luz ainda não estão suficientemente curvados, e a imagem é borrada. Para corrigir isto, a forma do cristalino é alterada pelos músculos ciliares, e se toma muito mais arredondada. Isto faz com que a luz que passa pelo cristalino sofra maior curvamento e restaure a imagem nítida. Esse processo de visão nítida de objetos próximos ou distantes é chamado de acomodação, e ocorre muito rapidamente. Você pode testar isso por você mesmo, observando alternadamente objetos distantes e próximos; você observará uma breve desfocalização dos objetos conforme você muda o seu olhar.

Visão tridimensional

Quando olhamos um objeto, nossos dois olhos devem mover-se juntos, de maneira que eles apontem diretamente para aquilo que estejamos vendo.

Se o objeto estiver muito distante, os dois olhos apontam exatamente na mesma direção. Os raios de luz vindos do objeto distante são quase paralelos, e assim entrarão no olho e encontrarão a retina no ponto em que produzirão a imagem mais nítida.

Mas os olhos estão separados só 6 cm, assim, quando olhamos um objeto próximo, eles têm que se voltar para dentro para ver claramente e ainda permitir que a luz encontre a mesma parte sensível da retina. Este processo de virar os olhos para ver um objeto próximo é chamado de convergência. As criancinhas podem "cruzar" seus olhos para enxergar objetos tão próximos quanto 7,5 cm, mas, para adultos, a menor distância para uma visão clara é de 14 cm.

Ter os olhos colocados bem separados, mas olhando na mesma direção, nos dá capacidade de dizer a que distância o objeto está de nós. Esta capacidade é chamada de visão estereoscópica e dá profundidade "3D" para o "quadro" que vemos.

Sendo separados, cada olho vê uma figura ligeiramente diferente. Você pode ver isso por você mesmo olhando um objeto próximo e fechando primeiro um olho e depois o outro.

Quanto mais perto o objeto, maior serão as diferenças vistas por cada olho. As duas figuras se sobrepõem no centro visual do cérebro, e, pela determinação das diferenças entre os dois conjuntos de mensagens enviadas pelos olhos, pode ser interpretada a distância do objeto.

A retina

A retina é a camada interna do fundo do olho, com a forma de unia xícara. A luz entrando no olho é focalizada pelo cristalino, para produzir uma imagem de cabeça para baixo (invertida) na retina. A retina pode detectar esta imagem e transformá-la em uma série de sinais elétricos codificados, que são passados ao longo dos nervos para o cérebro.

A retina contém um enorme número de células especiais chamadas bastonetes e cones. Estas células são sensíveis à luz e são chamadas de fotorreceptoras. A retina de cada olho contém cerca de 125 milhões de bastonetes e 7 milhões de cones, colocados bem juntos. Sua posição na retina não é comum, porque elas estão enterradas bem profundamente, com suas estruturas sensíveis à luz viradas para trás do globo ocular.

Sobre os bastonetes e cones há um arranjo complicado de fibras nervosas, ou neurônios, chamados células ganglionares, cada uma delas em contato com muitos outros bastonetes e cones. Esses neurônios ligam-se com outras fibras nervosas, que carregam os sinais do olho para o cérebro. Há apenas cerca de 800000 dessas fibras nervosas saindo do olho, pois os sinais dos bastonetes e cones são simplificados e selecionados pelas fibras nervosas dentro da retina.

A luz alcançando os sensíveis bastonetes e cones tem que passar através da massa de fibras nervosas e através do corpo dos bastonetes e cones antes de alcançar as partes sensíveis que provocam a produção de um sinal elétrico. Os bastonetes e alguns cones estão espalhados por toda a retina, mas, na sua maioria, os cones estão agrupados na parte central chamada fóvea.

Esta é a parte mais sensível da retina, onde a imagem é "vista" mais claramente.
Há uma pequena área da retina na qual não há bastonetes ou cones, e onde as fibras nervosas saem da retina para passar para o nervo óptico. Há urna covinha na superfície da retina nesse ponto, chamado ponto cego.

Bastonetes e cones

Os bastonetes e cones são células minúsculas de cada uma das quais sai um cordão fino que vai para uma fibra nervosa. Os bastonetes são células finas e longas que contêm uma substância chamada púrpura visual, ou rodopsina. Quando a púrpura visual é exposta à luz, tem lugar uma mudança química e a cor dos bastonetes desaparece. Esta reação provoca a produção de um sinal elétrico, que é passado para a fibra nervosa.

Os bastonetes são muito sensíveis à luz e são importantes para a visão noturna. Eles respondem à luz branca comum, desse modo tudo o que é "visto" com os bastonetes é visto em tons de cinza. Em luz muito brilhante, a púrpura visual toma-se inativa. Ela retoma vagarosamente sua coloração púrpura usual no escuro, e isto pode levar 30 minutos ou mais.

Você pode ver os resultados indo de um quarto brilhantemente iluminado para a escuridão; pode levar quase uma hora para o olho acostumar-se com a pouca claridade.

Os cones são responsáveis pela visão das cores. Eles contêm um dos três produtos químicos diferentes que também são clareados pela luz. Eles respondem à luz vermelha, amarelo-verde, ou azul-violeta. Todas as outras cores são "vistas" como uma combinação destas. Os cones são estimulados apenas pela luz brilhante, e eles também podem determinar detalhes.

Na fóvea, onde uma imagem é vista mais claramente, os cones estão muito juntos. Aqui, cada fibra nervosa está em contato com apenas um ou dois cones. Em todo o restante da retina, onde está posicionada a maioria dos bastonetes, há cerca de 300 bastonetes ligados a cada fibra nervosa. Isto significa que o cérebro recebe informações muito mais detalhadas dos cones da fóvea do que dos bastonetes do resto da retina.



As coisas que vemos

Cada olho produz uma "imagem" separada no cérebro, e estas são sobrepostas para produzir a imagem completa que nós vemos. Isto é, o cérebro vê uma imagem na qual a parte do meio é formada de mensagens recebidas de ambos os olhos. As bordas da imagem são vistas apenas pelo olho esquerdo ou pelo direito. Isto significa que a parte central é muito clara, e é estereoscópica. A área inteira é chamada de campo visual.

O campo visual de cada olho é quase redondo, mas uma grande parte é obscurecida pelo nariz, embora raramente nós percebamos isso. Quando sobrepostos, o campo visual para os dois olhos tem a forma de óculos.

Devido as células bastonetes e cones que detectam luz não estarem espalhadas uniformemente através da retina, o campo visual varia para cores diferentes. Os bastonetes estão espalhados na maior parte da retina, de modo que o campo visual é maior quando se vê em branco e preto. Os cones que detectam vermelho, amarelo-verde e azul-violeta estão agrupados de maneira ligeiramente diferente, então a nossa visão colorida não é tão acurada quando não estamos olhando diretamente para um objeto.

Vemos melhor quando a imagem na retina cai na f onde a maioria dos cones está agrupado. Nas bordas da retina está espalhada a maioria dos bastonetes, e estes são geralmente usados para detectar movimentos. Quando a nossa atenção é atraída por um movimento visto com esta visão periférica, o olho gira para olhar diretamente, e assim a imagem cai na f e pode ser vista claramente.

Os caminhos do cérebro

A maior parte das atividades do cérebro tem lugar em parte de sua superfície, em uma área chamada córtex. Uma grande área deste é destinada a receber e usar as informações vindas dos órgãos dos sentidos, e destas a maior proporção é para a visão.

As informações visuais alcançam o cérebro através dos dois nervos ópticos. Onde estes encontram o cérebro, eles se juntam e trocam algumas das Informações que carregam. A informação do lado esquerdo de cada retina é então levada para o lado esquerdo do cérebro e a do lado direito de cada retina para o lado direito do cérebro. Este cruzamento de informações tem lugar em um ponto chamado de quiasma óptico.

Uma vez dentro do cérebro; a informação visual é levada através de mais fibras nervosas para o córtex visual, situado na parte de trás do cérebro. Aqui, todas as informações codificadas são juntadas para formar uma imagem e as informações de cada olho são comparadas para produzir a visão estereoscópica.

Quando vemos alguma coisa, à nossa direita, a luz entrando no olho cai do lado esquerdo da retina, e é processada pelo lado esquerdo do cérebro. Assim, tudo que está de um lado de nosso olhar é "visto" pelo lado oposto do cérebro.

A "visão" é o resultado da produção de um padrão de mini impulsos elétricos na superfície do córtex visual. Se pequenas quantidades de eletricidade fossem aplicadas na superfície do cérebro, nós "veríamos" pequenos pontos de luz, cada um correspondendo ao ponto onde a eletricidade tocou.

Como o olho se move

O olho acomoda-se confortavelmente em sua órbita óssea, mas pode mover-se livremente para nos permitir olhar ao redor sem mover a cabeça. O globo ocular repousa em uma camada de gordura e pode girar e mover-se quase em qualquer direção. Seus movimentos são limitados pelo nervo óptico.

Cada olho é movido por seis músculos que, quando trabalhando juntos, podem virá-lo em qualquer direção. Eles são pequenas tiras de músculos achatadas, ligadas à esclerótica em uma extremidade e ao revestimento da órbita ocular na outra. Quatro desses músculos espaçados regularmente são ligados perto da frente do olho. Os outros dois envolvem o globo ocular como um anel.

Quando os músculos de um lado do olho puxam ou se contraem, fazem o globo ocular girar em sua direção. Desse modo, o olho pode mover-se em qualquer direção, 500 para cima, 35° para baixo, 45° para o lado de fora e 50° para dentro em direção ao nariz. O olho gira em direção ao nariz para permitir a convergência, onde eles se "cruzam" quando olhamos objetos muito próximos.

Os dois olhos se movem juntos, com instruções do cérebro. Virar os olhos para acompanhar um objeto em movimento é um processo imensamente complicado, no qual o cérebro usa a imagem recebida dos olhos para computar a velocidade do objeto. O cérebro emite instruções precisas para dois ou três dos seis músculos, dizendo-lhes para se contrair na exata medida para dar o movimento apropriado.

O olho sem descanso

Nossos olhos nunca estão completamente parados. Os músculos que controlam seus movimentos contraem-se continuamente de maneira muito leve, de modo que os olhos deslocam-se incansavelmente, movendo-se apenas em minúscula quantidade. Não temos consciência desse tremor, mas ele é muito importante.

Se o olho se mantivesse rigidamente fixo, de modo que a imagem ficasse no mesmo pedaço de bastonetes e cones na retina, a luz clarearia a púrpura visual e outros produtos químicos dessas células receptoras de luz, e as manteria claras.

Assim, mais nenhum sinal elétrico poderia ser enviado ao cérebro até que os bastonetes e cones estivessem recuperados.

Devido a esse contínuo tremor, conjuntos diferentes de bastonetes e cones são estimulados para produzir um sinal, e o cérebro transforma todos esses padrões tremulantes em uma imagem clara. Isso também evita que tenhamos consciência do ponto cego, que, de outro modo, poderíamos perceber como um ponto escuro.

Embora nosso controle sobre o movimento do olho seja muito efetivo, leva um certo tempo para mover o olho, e isso pode, algumas vezes, ser uma desvantagem. Quando lemos, nossos olhos deslocam-se para trás e para a frente através da página, movendo-se muito rapidamente. Mas a velocidade em que lemos é limitada pela velocidade e perfeição com a qual o olho pode localizar e manter a imagem das palavras precisamente na fóvea.

No piscar de um olho

A delicada córnea precisa de proteção cuidadosa para mantê-la macia e sem arranhaduras. Para isso, ela é mantida úmida e lubrificada pelas lágrimas. As glândulas lacrimais estão posicionadas acima e do lado de fora de cada olho e estão continuamente derramando lágrimas, produzindo cerca de 0,5 ml por dia cada uma.

As lágrimas são espalhadas sobre a córnea pelas pálpebras quando piscamos. Isto acontece automaticamente a intervalos de 2 a 10 segundos, embora não estejamos conscientes disso.

Há glândulas especiais nas pálpebras que espalham uma secreção oleosa sobre a córnea, retardando a secagem de sua superfície.

As lágrimas mantêm a córnea limpa, e também evitam infecções do olho. O líquido claro contém uma substância chamada lisozima, que destrói as bactérias e outros organismos produtores de doenças. As lágrimas são drenadas do olho para um pequeno saco na sua borda interior. Este saco lacrimal se esvazia toda vez que nós piscamos, em seguida enche-se outra vez de lágrimas, trabalhando como uma bomba de sucção. As lágrimas caem na cavidade atrás do nariz, correm para a garganta e são engolidas.

Os olhos estão bem protegidos pelas pálpebras e cílios. Os cílios evitam que qualquer coisa raspe o olho, e, sendo muito sensíveis ao toque, também servem para nos avisar que algo está muito próximo.

Piscar é uma reação automática que ocorre quando qualquer coisa é trazida de repente para perto do olho. Acontece muito rapidamente, em geral antes que tenhamos consciência do perigo. E uma reação defensiva do corpo, chamada reflexo.

Olhando para dentro de seu próprio olho

Quase todas as partes do nosso corpo são supridas com sangue, que fornece oxigênio e alimento e remove os resíduos produzidos no corpo. A retina não é uma exceção, e toda a sua superfície é coberta com uma complicada rede de finos vasos sanguíneos. O pigmento vermelho do sangue é opaco à luz, de modo que nós esperaríamos que os vasos ramificados lançassem uma "sombra", evitando que a luz chegasse aos bastonetes e cones que ficam atrás deles.

De fato, embora esses vasos sanguíneos lancem sombras, o cérebro as ignora. Mas você pode ver a complicada rede de vasos sanguíneos em seu próprio olho, com a ajuda de uma pequena lanterna. Segure a lanterna em sua mão direita e encoste-a levemente na extremidade externa da pálpebra superior de seu olho direito fechado. Agora, mova a ponta da lanterna em um pequeno círculo. Depois de alguns segundos, você começará a "ver".

Conforme a imagem se desenvolver, logo se tornará muito clara, parecendo com uma árvore nodosa. Quando você roda a lanterna, os ramos se movem. Segure a lanterna parada e a imagem desaparece. Esta imagem é a sombra dos vasos sanguíneos na retina.

O cérebro cancela qualquer imagem que permanece na retina por um longo tempo, ignorando qualquer coisa que possa dar uma imagem falsa do mundo que vemos. O cérebro ignora a sombra dos vasos sanguíneos na retina porque eles estão normalmente parados, estando firmemente fixados na retina. Movendo a luz em círculos, nós damos unia falsa impressão de movimento dos vasos sanguíneos, e eles são "notados".

Problemas dos olhos

Por causa de sua estrutura e do modo pelo qual trabalha, o olho é capaz de corrigir pequenos erros de focalização. O cristalino pode mudar a sua forma para trazer a imagem bem focalizada, e algumas vezes as dores de cabeça amolantes são os únicos sinais de que os olhos estão tendo muito trabalho para corrigir esses erros e manter a visão trabalhando bem.

Algumas vezes o olho se desenvolve incorretamente. Como o olho aumenta de tamanho conforme crescemos, um defeito pode tomar-se evidente apenas gradualmente.

A miopia, visão curta, é um defeito muito comum desse tipo. Ela é causada pela distorção do globo ocular, que se torna muito comprido no sentido da frente para trás, ou também quando o cristalino é muito redondo. Em qualquer caso, o resultado é que a imagem de objetos distantes é formada muito longe na frente da retina, de maneira que a imagem caindo na retina está fora de foco. Objetos próximos podem ser vistos claramente, onde os raios de luz são normalmente bem curvados, mas o olho não pode acomodar-se o suficiente para focalizar objetos distantes.

Na hipermetropia, ou vista longa, o olho é muito curto ou o cristalino é muito achatado. Nesse caso, a imagem é formada atrás da retina. Uma pessoa com hipermetropia pode ver objetos distantes bastante claramente, mas não pode focalizar qualquer coisa próxima. Um problema semelhante se desenvolve quando envelhecemos e o cristalino toma-se mais rígido, tomando-se fixo em sua posição achatada.

A luz entrando no olho começa a curvar-se conforme passa através da superfície curvada da córnea. Se a córnea ou o cristalino não são perfeitamente redondos, isso afeta o modo como a luz é curvada, de modo que a imagem é borrada ou distorcida. Esta condição é chamada de astigmatismo.

Corrigindo a visão

Quase todos os tipos de problemas dos olhos causados pela forma defeituosa, ou do globo ocular ou do cristalino, podem ser corrigidos pelo uso de óculos. Óculos apropriados curvam a luz que entra no olho de tal modo que a imagem correta é restaurada.

Na miopia são necessárias lentes côncavas. Este tipo é mais fino no meio do que nas bordas.

Seu efeito é curvar a luz para fora do seu centro. Por causa disso, a luz atinge o cristalino em ângulo diferente, e pode ser focalizada para produzir uma imagem no lugar apropriado na retina.

Na hipermetropia, onde o cristalino é muito chato para curvar suficientemente a luz, os óculos são de lentes convexas, ou redondas, que aumentam a força de curvatura do cristalino do olho e corrigem a imagem.

Do mesmo modo, o astigmatismo é corrigido com lentes apropriadas que são curvadas de tal modo que cancelam a curvatura errada da superfície da córnea.

Quando o cristalino perde a sua flexibilidade e não pode acomodar-se para a visão de perto ou de longe, é necessário, algumas vezes, o uso de lentes especiais chamadas de bifocais.

Estas são feitas de tal modo que, quando os olhos olham direto para a frente, os objetos distantes podem ser vistos claramente. Quando os olhos são baixados, como para ler, eles olham através de uma área especial da lente, de modo que os objetos próximos podem ser vistos claramente.

As lentes de contato agem da mesma forma que os óculos, exceto que elas são colocadas diretamente sobre a córnea. Elas são muito pequenas e finas, feitas de plástico transparente. Alguns tipos são de plástico rígido, enquanto que outras são de material elástico e macio.

Daltonismo

O mecanismo pelo qual vemos as cores é extremamente complicado. Envolve três tipos diferentes de cones da retina. Os sinais que eles geram têm que ser classificados no cérebro para decidir exatamente que cor e forma estamos vendo. Um pequeno erro nesse mecanismo pode levar a uma forma de daltonismo. E muito raro o daltonismo completo, onde nós só poderíamos ver em branco e preto.

Em vez disso, nosso reconhecimento de cores é distorcido. Pode ser muito pequeno, ou bem sério, como em pessoas que não podem distinguir o vermelho do verde. Isto é, obviam desvantajoso do que ser incapaz de distinguir o amarelo do laranja, ou alguma outra forma branda de daltonismo.

O daltonismo é uma condição hereditária, geralmente afetando os homens. Na Europa e América do Norte, ele afeta cerca de 8% da população, e é muito menos comum em alguns grupos étnicos, tais com os esquimós.

Você poderia pensar que o daltonismo é um problema sério e preocupante, mas muitas pessoas que têm esse defeito visual são quase inconscientes dele, a menos que se submetam a um teste especial para revelá-lo. Até motoristas, que são cegos para o vermelho-verde, raramente cometem erros quando cruzam os sinais de trafego, que eles reconhecem devido à posição das luzes mais do que suas cores verdadeiras.


Experiência e visão

O que nós vemos não é apenas uma imagem na superfície do cérebro. A imagem que vemos é adaptada, alterada e "melhorada" pelo cérebro até que possamos entendê-la completamente.
Quando olhamos para alguém de pé, muito próximo, nosso cérebro nos diz que a pessoa não é realmente um gigante, mas do mesmo tamanho que alguém de pé mais longe, que nos pareceria muito pequena. Sabemos disso por experiência.

Como o cérebro sempre tenta fazer sentido do que vemos, é facilmente enganado por figuras que não se encaixam em nossas experiências prévias. Nós esperamos que uma escada seja uma escada, de modo que, se o artista a torna algo diferente, o olho (ou o cérebro) recusa-se a aceitar isso. Nestas gravuras intrigantes, o cérebro luta para forçar os desenhos impossíveis a se encaixarem em padrões mais familiares. Algumas vezes, a estrutura e o funcionamento
do olho podem ser postos em uso para criar um efeito deliberado. Quando olhamos um filme, constituído de uma série de imagens, cada uma apenas um pouco diferente, o olho não responde suficientemente rápido para detectar as pequenas diferenças em cada imagem, o que, de outra maneira, faria os movimentos parecerem tremidos. O cérebro vê o filme todo como um movimento suave e contínuo.

Cores que confundem

O olho e o cérebro parecem associar as cores em pares, tais como azul e amarelo ou vermelho e verde. De alguma maneira, as cores agem como opostas. Se você olhar fixamente, por 30 segundos, uma mancha de vermelho brilhante, e depois fechar seus olhos, você "verá" a mancha em verde por alguns segundos, antes de desaparecer. O mesmo efeito terá lugar com o azul e amarelo. Esses pares são chamados de cores complementares.

Ao contrário de algumas outras cores, as cores complementares não se misturam eficientemente. E fácil visualizar um azul-esverdeado ou um amarelo-avermelhado, mas é impossível imaginar um verde-avermelhado ou um amarelo-azulado.

O olho não tem esses problemas quando as cores são quebradas em pedaços muito pequenos. As ilustrações coloridas deste livro são formadas de milhares de minúsculos pontos de apenas 3 cores - vermelho, azul e amarelo - junto com o preto.

Eles são fundidos pelo olho para formar cores e texturas uniformes que o cérebro aceita. O padrão pode ser alargado para tamanhos muito maiores e ainda será reconhecível, mas apenas se os olhos se estreitarem de modo que as bordas dos pontos fiquem borradas.

Mais do que ser visível

O que vemos não é a mesma coisa que pensamos que vemos. Se fosse possível registrar os impulsos nervosos saídos da retina, para produzir uma imagem eletrônica sem a ajuda do cérebro, eles produziriam pontos de luz desiguais e confusos. O cérebro pode dar sentido a essa massa de informação visual, e construir uma imagem reconhecível.

Por exemplo, o cérebro ajusta as cores das coisas que nós vemos, sem termos consciência disso. Uma maçã ainda aparece com a mesma cor quando a vemos sob luz solar brilhante, ou na luz amarelada do anoitecer. As fotografias coloridas mostram que o que realmente aparece é bem diferente. O cérebro apenas falha no ajuste quando uma luz colorida muito brilhante incide sobre a maçã, como a iluminação a vapor de sódio.

Estes contínuos ajustamentos e alterações significam que a parte consciente do cérebro é freqüentemente iludida, como as fotos coloridas podem provar. E é esta tentativa de interpretação de imagens visuais que pode pregar algumas peças ao olho, causadas por ilusões visuais (ilusões ópticas), tais como as mostradas nesta página, O cérebro tenta forçar alguma ordem em formas que podem ter varias interpretações diferentes.

Glossário

Acomodação: a capacidade do olho em ajustar a forma de seu cristalino, de maneira a focalizar claramente os objetos tanto de perto quanto de longe.
Astigmatismo: defeito visual que resulta de uma falha de curvatura da córnea.
Bastonetes: células cilíndricas e finas da retina, que respondem à luz, mas não podem distinguir cores. São muito sensíveis e proporcionam a visão em áreas de pouca luz.
Bifocal: óculos fabricados com duas partes em cada lente, de modo que unia pessoa com falta de acomodação visual possa enxergar os objetos de longe e de perto.
Campo visual: a área que vemos enxergar sem mover os olhos.
Catarata: defeito visual causado pelo embaçamento do cristalino.
Células ganglionares: células nervosas da retina que transformam as mensagens dos bastonetes e cones para as fibras nervosas que passam-nas para o cérebro.
Cones: células receptoras de luz com a extremidade em ponta. Os cones registram a cor e a luz brilhante e são importantes para enxergar detalhes.
Convergência: tendência dos dois olhos em apontar levemente para o interior quando eles enxergam um objeto. A convergência é mais marcante quando o objeto move-se para mais perto do olho.
Cores complementares: cores opostas. Imagens residuais são geralmente de uma cor que é complementar à cor que está sendo vista.
Córneas: cobertura transparente da frente do globo ocular.
Córtex: parte da superfície do cérebro onde a informação recebida é classificada e atuada.
Cristalino: estrutura transparente e arredondada que focaliza a imagem sobre a retina. O cristalino dos olhos difere das lentes dos óculos pois é flexível. Portanto, capaz de focalizar objetos de perto e de longe.
Daltonismo: defeito visual no qual o reconhecimento de certas cores é distorcido. Há muitos tipos diferentes de daltonismo, mas o mais comum é o verde-vermelho.
Esclerótica: a cobertura branco-leitosa da maior parte do globo ocular. Ela é grossa e flexível, dando ao olho sua forma arredondada.
Fotorreceptores: bastonetes e cones. Células da retina sensíveis à luz.
Fóvea: pequena área da retina, na qual as células cônicas estão cerradamente agrupadas. Os olhos movem-se de modo que o centro da imagem que nós enxergamos é focalizada na fóvea.
Hipermetropia, ou visão longa: defeito visual no qual o olho não pode focalizar claramente os objetos que estão perto.
Humor aquoso: liquido fino e transparente que preenche a parte anterior do olho.
Humor vítreo: material gelatinoso, claro, que preenche o globo ocular atrás do cristalino. A luz passa livremente através do humor vítreo.
Íris: tela muscular em forma de anel na parte anterior do olho, que se abre e fecha para regular a quantidade de luz que alcança o cristalino. A íris é a parte colorida do olho, geralmente azul ou castanha.
Lisozima: um agente desinfetante natural produzido pela lágrima. Ele mata os microrganismos que, de outra maneira, poderiam crescer na córnea.
Membrana coróide: camada entre a retina e a esclerótica que supre o olho de sangue.
Miopia, ou visão curta: defeito visual no qual o olho não pode focalizar claramente os objetos distantes.
Músculos ciliares: anel de pequenos músculos que mudam a forma do cristalino permitindo a focalização.
Nervo óptico: feixe de fibras nervosas que leva os sinais de cada olho para o cérebro.
Ponto cego: área onde as fibras nervosas e os vasos sanguíneos saem da retina. Não contém células sensíveis à luz e, portanto, é "cego" Pupila pequeno buraco no meio da íris. Ela se abre e fecha mantendo a quantidade apropriada de luz que entra no olho.
Quiasma óptico: o ponto no qual os dois nervos ópticos juntam-se e as fibras nervosas das metades centrais da retina se cruzam, indo para lados opostos do cérebro.
Retina: revestimento interno da parte traseira do olho, na qual estão localizados os bastonetes e os cones.
Rodopsina: pigmento púrpura contido nos bastonetes, que é clareado pela luz, provocando na célula a produção de um sinal elétrico. Também é chamado de púrpura visual.
Visão estereoscópica: capacidade de detectar a profundidade daquilo que enxergamos devido à interpretação levemente diferente das imagens recebidas de cada olho. Também é chamada de visão binocular.
Visão periférica: a capacidade de se perceber os objetos quando não estamos olhando diretamente para eles. A visão periférica usa a célula cônica das bordas do campo visual e é, portanto, menos sensível do que a visão normal, quando a luz cai na fóvea.


Um comentário:

  1. Amei, ficou ótimo! Parabéns, é dificil encontrar um assim! Parabeéns ! :)

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