domingo, 18 de setembro de 2011

Clonagem

Ovelha Dolly - Clonagem.

 O que é clonagem?

A palavra clone (do grego klon, significa “broto”) é utilizada para designar um conjunto de indivíduos que deram origem a outros por reprodução assexuada.

A Clonagem é o processo natural ou artificial em que são produzidas cópias fiéis de outro indivíduo (homem, animais, etc.), ou seja, a clonagem é o processo que formará um clone.

O termo clone foi criado em 1903, pelo botânico norte-americano Herbert J. Webber, segundo ele, o clone é basicamente um descendente de um conjunto de células, moléculas ou organismos geneticamente igual à de uma célula matriz.

O processo de clonagem natural ocorre em alguns seres, como as bactérias e outros organismos unicelulares que realizam sua reprodução pelo método da bipartição, além disso, o tatu também produz um clone através da poliembrionia.
No caso dos humanos, os clones naturais são os gêmeos univitelinos, ou seja, são seres que compartilham do mesmo material genético (DNA), sendo originado da divisão do óvulo fecundado.

No processo de clonagem artificial existem várias técnicas de clonagem, uma delas permite clonar um animal a partir de óvulos não fecundados, sendo este processo conhecido desde o século XIX. Esses processos eram praticados pelos horticultores que obtinham clones de orquídeas, que através de tecidos meristemáticos de uma planta matriz, originava dezenas de novas plantas geneticamente idênticas.

Clonagem de Macacos

A clonagem de macacos foi feita nos Estados Unidos utilizando as mesmas técnicas da ovelha Dolly.
A grande diferença desse tipo de clonagem foi o fato de terem utilizado células de um embrião e não de animais adultos como o caso da ovelha Dolly.

Quais as vantagens da clonagem?

As principais vantagens da clonagem são:
- A preservação de animais em extinção;
- Desenvolvimento de animais imunes a algumas doenças que são contagiosas;
- Clonagem de células humanas para tratamento de doenças, como: pâncreas para diabéticos e de células do sangue para os leucêmicos.

A manipulação da bagagem genética das espécies.

A clonagem é um método artificial de reprodução que utiliza células somáticas, ou seja, as que formam os órgãos: os ossos, a pele, o músculo, em substituição às células sexuais masculinas e femininas (o óvulo e o espermatozoide).

Essa técnica surgiu por volta de 1938, quando um embriologista alemão, Hans Spermann, iniciou estudos e trabalhos transferindo o núcleo de uma célula diferenciada (com características e funções pré-definidas), em substituição ao núcleo da célula ovo ou zigoto.

No entanto, a primeira clonagem bem sucedida foi realizada em 1996, por um cientista escocês chamado Ian Wilmut. Sua experiência fundamentou-se na extração e manipulação do núcleo de células diploide (2N) de um organismo já em estágio avançado de desenvolvimento, para o interior de um óvulo.



O criador e a criatura.

No caso, o organismo experimentalmente utilizado foi um mamífero, especificamente uma ovelha com idade de seis anos, de onde foram retiradas células da glândula mamária.

Após processada a retirada do núcleo de uma célula contida na amostra, e inserindo esta substituindo o núcleo de uma célula reprodutiva da mesma espécie, foi então implantada no útero de outra ovelha.

Portanto, foram submetidas ao experimento três exemplares de ovelhas: a primeira forneceu o núcleo de uma célula somática, a segunda forneceu uma célula sexual sem núcleo e a terceira foi utilizada como organismo gestante.

A ovelha concebida, denominada Dolly, teve seu desenvolvimento conforme o esperado: nasceu, gerou descendentes férteis e morreu. Contudo, pesquisas posteriores revelaram que o processo de clonagem teria ocasionado o envelhecimento precoce da ovelha Dolly. Isso em razão do emprego de um núcleo contendo material genético “enfraquecido”, constituindo vários telómeros (cromossomos fragmentados).

Teoricamente, essa técnica pode ser aplicada na clonagem de seres humanos, porém bastante criticada e contestada pelo aspecto religioso e ético.
Por Krukemberghe Fonseca
Graduado em Biologia

Ovelha Dolly

                               
"É difícil imaginar glândulas mamárias tão impressionantes como as de Parton" - Ian Wilmut.
A ovelha clonada, por ter sido originada a partir de um núcleo de célula mamária,
recebeu de seu criador este nome, em homenagem à cantora country Dolly Parton.

Quem nunca ouviu falar da ovelha Dolly?


Dolly foi símbolo de tanto destaque e controvérsias porque foi o primeiro mamífero a ser clonado. Tal procedimento foi feito a partir de células adultas: o núcleo de uma célula das glândulas mamárias de uma ovelha adulta da raça Finn Dorset (cabeça branca) foi transferido para um oócito com núcleo removido de uma fêmea da raça Scottish Blackface (cabeça preta). Outra ovelha de cabeça preta gerou Dolly, que nasceu idêntica ao primeiro animal citado.

Vale ressaltar que, para o procedimento, utilizar “mães” de fenótipos distintos foi uma maneira dos cientistas obterem um melhor controle quanto à possibilidade das características destas fêmeas serem misturadas. Este foi feito entre 1995 e 1996, mas foi publicado apenas em 1997.

Em janeiro de 2002 a ovelha foi diagnosticada com uma forma rara de artrite, uma doença que não é comum em indivíduos da mesma espécie com essa idade. Este fato levanta, até o presente, questões quanto aos processos de envelhecimento de mamíferos clonados. Dolly teria sua real idade ou a sua idade real somada com a da Finn Dorset quando doou o núcleo?

Dolly foi criada por pesquisadores do Instituto Roslin (Escócia) e viveu neste local durante seus 10 anos de vida, quando foi eutanasiada, às 15 horas do dia 14 de janeiro de 2003, em razão de uma infecção pulmonar incurável. Há controvérsias se durante sua vida teve um ou dois filhotes.

Hoje, o símbolo de medos e incertezas quanto ao futuro da humanidade, da ciência e do mundo se encontra empalhada no Royal Museum of Scotland, em Edinburgo.
Por Mariana Araguaia
Graduada em Biologia
Clonagem Humana
Esquema dos processos que seriam utilizados na clonagem humana.
Esquema dos processos que seriam utilizados na clonagem humana.


O nascimento da ovelha Dolly possibilitou que passássemos a avaliar a clonagem humana como algo viável. Paralelamente, trouxe opções das quais poderíamos nos beneficiar: desde a possibilidade de pessoas que precisam ser transplantadas conseguirem órgãos compatíveis; à esperança de ter de volta aquele ente querido que morreu; ou mesmo a realização da ideia de se tornar imortal. Além disso, também trouxe muitas discussões, dúvidas e posicionamentos favoráveis e não favoráveis.
Clones são células ou organismos originários de uma única célula, sendo idênticos a ela. Deste modo, muitos vegetais, protozoários e fungos são clones; assim como gêmeos univitelinos. Quando se trata de clones tal como a ovelha Dolly, ou seja, que jamais poderiam ter surgido de forma natural, a questão se torna um pouco diferente.
Dolly foi clonada a partir de uma célula somática diferenciada, elaborada a partir da transferência do núcleo de uma célula somática da glândula mamária de uma ovelha branca para um óvulo sem núcleo, de uma ovelha negra. Tal célula passou a se comportar tal como um óvulo que acabou de ser fecundado e, apesar de ela ter sido gerada por uma ovelha também negra, Dolly nasceu idêntica à dona do núcleo.
Tal novidade abriu portas para novas pesquisas, uma vez que até então se acreditava que células somáticas diferenciadas não poderiam ser capazes de originar diversos tipos de tecidos diferentes. Por outro lado, a experiência com Dolly levantou um grande número de desafios. Um dos primeiros inclui o fato de esses procedimentos, até agora, provocarem um alto índice de tentativas malsucedidas até que se consiga que uma gestação vá até o fim. Outro ponto significativo é a questão de como driblar os problemas de saúde que a grande maioria dos indivíduos clonados têm apresentado – inclusive o envelhecimento precoce. Dolly, por exemplo, desenvolveu artrite precocemente, o que não costuma acontecer em indivíduos com a idade que tinha na época.
Assim, surgem novas questões interessantes, como: será que a clonagem humana é realmente possível? Se sim, será que tal procedimento é ético? Quais seriam os riscos e as implicações desse fato? O que fazer com os possíveis clones que nascerão com deficiências significativas e que forem rejeitados pelas suas famílias? Talvez prevendo as implicações éticas dessa questão, em 2003 foi assinado um documento no qual diversos países, inclusive o nosso, buscam proibir esse tipo de clonagem em humanos, denominada clonagem reprodutiva.
Por outro lado, surge uma nova possibilidade: a clonagem terapêutica, também – e mais adequadamente – chamada de clonagem para fins biomédicos, clonagem para a pesquisa terapêutica, ou clonagem investigativa. Esta se diferencia da clonagem reprodutiva porque não tem como objetivo a implantação da célula, o que inviabiliza a possibilidade de se gerar um novo ser vivo, clonado. Assim, permitiria com que, a partir de células capazes de se diferenciar, qualquer tipo de tecido fosse formado; driblando muitas das implicações éticas significativas que a clonagem reprodutiva apresenta (mas não as excluindo totalmente).

Por Mariana Araguaia
Bióloga, especialista em Educação Ambiental

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